Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Telemóveis em Exames

Imagem do jogo televisivo, "Quem Quer Ser Milionário"Enquanto muitas escolas optam por banir os telemóveis, apenas nas salas de aula ou mesmo em todo o recinto escolar, uma escola australiana, tal qual George Costanza da série Seinfeld, resolve fazer exactamente o contrário. Segundo o Sidney Morning Herald, o Presbyterian Ladies' College de Croydon está a levar a efeito uma experiência permitindo que os estudantes do 9ºano de Inglês possam telefonar a um amigo, usar a Internet ou os seus iPods durante os exames e planeia alargar a experiência a todas as disciplinas até ao final do ano.

 

Apesar de encorajados a usar estes recursos, as estudantes são no entanto obrigados a citar todas as fontes usadas, como forma de desencorajar o plágio.

 

As reacções de algumas das alunas à iniciativa são extremamente interessantes. Como curioso também é realizar que a iniciativa foi inspirada por Marc Prensky, um consultor internacional em educação, que lançou o seguinte desafio:

"E se permitíssemos o uso de telemóveis e mensagens instantâneas para recolher informação durante os exames, redefinindo tal actividade de 'copianço' para 'usar as nossas ferramentas, incluindo o mundo na nossa base de conhecimentos'?".

 

A ideia é interessante. Segundo Prensky, os miúdos já vêm isso na televisão onde se podem pedir uma ajuda telefónica para ganhar 1 milhão de dólares. "Porque não para passar no raio de um exame?" Esta é a razão que tem levado Prensky a advogar a utilização de testes de "telefone aberto", pois segundo afirma, "ser capaz de encontrar e aplicar a informação certa torna-se mais importante do que ter tudo na cabeça".

 

Considero a ideia atraente, mas questiono-me se não estaremos a transformar o ensino num "game show". E este tipo de abordagem faz-me lembrar uma outra máxima da qual não gosto particularmente e que pela qual até tenho alguma repulsa: "it's WHO you know, not WHAT you know, that matters".

 

Como já acontecia no post anterior, o debate suscitado pela notícia entre os leitores do SMH é extremamente interessante e merece uma leitura atenta.

 


sinto-me:

Publicado por Tito de Morais às 00:02
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Comentários:
De HelenaRamos a 26 de Agosto de 2008 às 23:16
Olá... mas vem tão a proposito! Este ano uma das componentes de avaliação dos meus alunos do CET(~18 anos de idade) foi um teste com consulta, em que a internet era uma das possíveis fontes. Foi uma experiência surpreendente até para mim! Como sou absolutamente contra as cábulas pelo espírito de "enganar o próximo" a que estão associadas, preferi contratar com eles consulta livre! Assim, todos partiram da mesma base. Posso dizer que não houve surpresas nas notas! PS- não restringi expressamente a consulta "entre eles", mas o teste tinha um tempo limitado pelo que a conversa entre alunos acabou por nem sequer acontecer!


De Tito de Morais a 29 de Agosto de 2008 às 14:05
Estimada Helena Ramos,

Obrigado pelo seu comentário e por partilhar a sua experiência.

Posso perguntar em que disciplina desenvolveu esta experiência?

Cumprimentos
Tito de Morais


De Nelson Alves Correia a 12 de Setembro de 2008 às 11:30
Olá!
De facto, a ideia é muito interessante, não me surpreende e pode ser uma possibilidade a experimentar. Até porque se devemos avaliar várias competências, um teste "normal" avalia muito poucas.
Há já alguns anos que permito a consulta do caderno diário nos testes de CFQ (7º, 8º e 9º ano), nos últimos 5 a 10 minutos. Deste modo, promovo e avalio o interesse/capacidade dos alunos em escrever nas aulas/casa apontamentos, a organização do caderno diário (dá gosto ver alguns alunos com separadores coloridos), a pesquisa e interpretação de informação, a responsabilidade de trazer o caderno para o teste (há sempre alguns alunos que não trazem e outros que não querem consultar!), entre outras competências.
Quanto aos resultados dos testes, continuam e existir negativas, positivas baixas, médias e poucas altas.


De Tito de Morais a 13 de Setembro de 2008 às 18:44
Estimado Nelson Correia,

Obrigado pelo seu comentário.

De facto poderá ser interessante testar como mais um instrumento de avaliação.

Interessante a ligação que faz entre testes de consulta e o incentivo para manter os cadernos diários em dia.

Cumprimentos

Tito de Morais


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