Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Crianças, Fast Food e Internet
Em Outubro de 2005, no artigo "Segurança & Responsabilidade Social Empresarial", na sequência do anúncio de legislação europeia que visava proibir a publicidade a menores, manifestei alguns receios em ver migrar para a Internet aquele tipo de publicidade que já não seria permitida offline.

No passado dia 18 de Julho, sob o título, "Fast food brands hit kids online" a BBC parece dar-me razão. Segundo a BBC, estudos sugerem que as marcas de fast food - comida rápida ou comida de plástico, como preferirem - estão a contornar as leis que banem a promoção online de snacks não saudáveis. Segundo a BBC, as novas regras da Advertising Standards Authority proibem a publicidade - online ou offline - de alimentos fast food dirigida a crianças. No entanto, segundo a BBC, a publicação do sector - a New Media Age - alerta para o facto da publicidade das marcas de fast food visarem directamente as crianças nos seus sites, seja através de jogos, vídeos ou cartoons. A New Media Age acusa marcas tais como a McDonalds, Hubba Bubba, Kinder e Haribo de explorarem uma lacuna legal nas regras definidas pela Advertising Standards Authority.

Segundo declarações de Nic Howell, editor-chefe da New Media Age, à BBC, "as marcas podem estar a apegar-se à letra da lei, mas estão claramente a quebrar o espírito do código mais recente do Committee on Advertising Practice". Ainda segundo este responsável, "aparentemente alguns na indústria vão continuar a lutar até ao fim pelo seu direito à publicidade dirigida a crianças", quando tal já não é uma questão no que toca à televisão  e aos média impressos.

Uma porta-voz da McDonalds no Reino Unido referiu à BBC: "nós afirmamos claramente no nosso website que menores de 16 anos devem pedir permissão a um adulto antes de entrar no Kids Zone. Todavia, o ênfase de cada jogo é no divertimento em si em vez da escolha de menus que oferecemos". Por outro lado a Hariboo afirmou à BBC que se preocupou em "garantir que todo o seu marketing é conduzido de uma forma responsável", acrescentando que "nunca posicionamos os doces como algo mais que uma guloseima para ser consumida moderadamente como parte de uma dieta saudável".

A peça da BBC refere ainda um estudo efectuado junto de 3.000 crianças promovido pela Intuitive Media, segundo o qual 43% dos inquiridos afirmou ser mais provável comer um alimento ou um snack se o vissem anunciado online e 61% afirmou ter visitado sites de marcas de produtos alimentares. A BBC refere ainda que Robert Hart, Director Geral da Intuitive Media, pensa que os sites precisam de respeitar o Committee on Advertising Practice. "Apesar destas empresas poderem afirmar que os seus sites constituem conteúdos editoriais e não tanto comunicações de marketing, o facto das crianças serem mais propensas a consumir estes alimentos depois de os verem online faz com que esta linha divisória seja, no mínimo ambígua", acrescentou este responsável à BBC, apelando ainda à Advertising Standards Authority para que elimine esta lacuna que permite às marcas publicarem nos seus sites conteúdos editoriais que exploram esta lacuna. Por seu lado, a Advertising Standards Authority afirmou à BBC que compete à indústria chegar a acordo sobre um mecanismo para regular os conteúdos online.

Enquanto lia esta peça no site da BBC, recordei-me de algum debate que se fez sobre este tema em Portugal por ocasião do Código de Boas Práticas na Comunicação Comercial para Menores promovido em finais de 2005 pela APAN (Associação Portuguesa de Anunciantes) e que infelizmente já não se encontra disponível no respectivo website. No entanto, é ainda possível, consultar alguma da informação disponibilizada aos associados, a lista das entidades subscritoras e o discurso que, na circunstância, foi feito pelo Presidente da Direcção da APAN, Dr. Victor Centeno. Fica por fazer a análise comparativa entre os código britânico e português e o estudo dos índices de cumprimento dos sites dos subscritores do Código da APAN.

A terminar, seria também interessante, ter a perspectiva de entidades envolvidas neste tema, nomeadamente:
A terminar, aqui fica mais um recurso cuja visita pode interessar a quem despertei à atenção com este post:

sinto-me:

Publicado por Tito de Morais às 00:33
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Comentários:
De Eduardo Ramos a 1 de Agosto de 2007 às 17:01
... com tanta coisa e tanta informação, nem se consegue comentar nada de jeito.
No entanto... conheço um casal que tem uma filha que que tem 4 anos e pesa 26 quilos. O pai pesa 110 e a mãe com 1 metro e 65 cm pesa 75 quilos.
Já ouvi da boca da menina em conversa com a minha esposa "... porque é tão magra e eu sou tão gorda?"
Ela vai fazer 5 anos, agora em Agosto! O médico pediatra diz que ela está óptima. O pediatra trabalha numa clínica particular... que tem um protocolo com o seguro de saúde da família.
Será que se ele disse-se ao pais que a filha estava obesa... eles deixariam de ir aquele médico e procurariam outro que lhes disse-se algo mais do agrado ao ouvidos?... Afinal eles são cheinhos ", e são do tipo numa mão estão a LER um livro sobre dietas e na outra têm um mil-folhas cheio de creme.

Acho que isto tudo se resume a duas coisas perigosas que juntas são explosivas. Falta de tempo e a estupidez.


De Tito de Morais a 1 de Agosto de 2007 às 19:40
Estimado Eduardo Ramos,

Obrigado pelo seu comentário. Sobre o comentário "com tanta coisa e tanta informação, nem se consegue comentar nada de jeito", vou tomar isso como um elogio! :)

Mas é de facto problemático... ainda não acertei a "fórmula" correcta para o blogue... é que por vezes sinto que há coisas sobre as quais devia escrever e acabo por não o fazer. Quando tal acontece e o assunto não é focado na segurança online dos mais novos, fico mais descansado... mas nem sempre é assim. Alguns exemplos: estatísticas divulgadas recentemente sobre casos de abuso sexual de menores; o plano tecnológico da educação; notícias recentes sobre predadores e redes sociais. Estes são apenas alguns exemplos que me ocorrem, assim, do "pé para a mão".

Sobre o tema e o caso em apreço, sinto que se não fizermos algo rapidamente, quando acordarmos, teremos - se é que já não temos - uma "epidemia" entre mãos. Como o caso que ilustra, quando as abordagens parentais são inexistentes, a educação tem um papel decisivo. Mas a regulamentação também. Enquanto os "bufetes" forem uma das principais fontes de receitas das escolas e for permitida a instalação de máquinas de refrigerantes e de chocolates nas escolas, o problema continuará a agravar-se.

Abraço

Tito de Morais


De Pai Babado a 2 de Agosto de 2007 às 11:13
Mais um excelente post (a exemplo dos outros que li desde que passei a conhecer este espaço).
Eu, como técnico de saúde que sou, não tenho dúvidas: a epidemia já está instalada. Se alguém tem dúvidas que se dê ao trabalho de nesta época balnear procurar uma família inteira onde pelo menos um dos elementos não apresente sinais evidentes de excesso de peso.
Mais uma vez parabéns pelo seu excelente trabalho.


De Tito de Morais a 2 de Agosto de 2007 às 13:48
Estimado Pai Babado,

Obrigado por voltar a comentar no blogue e pelas palavras simpáticas relativamente aos conteúdos.

Concordo com as suas observações. A este nível costumava referir os riscos associados aos sites que promovem e fazem a apologia da bulimia e da anorexia. Este tipo de casos tinham-me escapado. E de alguma forma, vejo que em Portugal se passa o mesmo com sites de marcas de gelados, suplementos de chocolate para leites, entre outros tipos de produtos.

Cumprimentos

Atentamente

Tito de Morais


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