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Miúdos Seguros Na Net - Promover a Segurança de Crianças e Jovens na Internet

Minimizar Riscos, Maximizar Benefícios.

Miúdos Seguros Na Net - Promover a Segurança de Crianças e Jovens na Internet

Minimizar Riscos, Maximizar Benefícios.

Exposição & Consequência

Tito de Morais, 07.08.07

Imagem ilustrativa de "celebrações" académicasJá alertei várias vezes para os riscos associados à exposição excessiva em sites de redes sociais. Uma das potenciais consequências dessa exposição excessiva relaciona-se também com a reputação dos jovens. Em meados de Julho, na sua notícia "Caught on camera – and found on Facebook", o Times Online refere que o Facebook está a ser usado por autoridades universitárias como uma ferramenta disciplinar. A título de exemplo, relata o caso da Universidade de Oxford, cujo pessoal está usar o Facebook para recolher fotografias e multar estudantes cujas fotos indiciam a violação das regras no âmbito de celebrações académicas. Para além de exemplos relacionados com este caso, o Times Online refere ainda outros casos em que a informação colocada em sites de redes sociais se pode virar contra os próprios utilizadores. Entre esses casos, contam-se:

  • Uma Miss que foi vítima de chantagem em resultado de uma foto colocada no seu perfil do Facebook
  • Uma responsável de uma empresa de relações públicas que reconheceu ter recusado uma candidatura depois de se ter apercebido que o candidato tinha usado o Facebook para criticar empregadores anteriores e discutir informação da empresa
  • Cinco estudantes canadianos impedidos de participar numa viagem de estudo em resultado da descoberta de comentários sobre professores no Facebook
  • Um consultor de carreiras norte-americano que afirma ter recusado emprego a um candidato em resultado de comentários deste no Facebook

  • Vários estudantes da universidade de DePauw, no Indiana, que foram alvo de medidas disciplinares por terem colocado informação no Facebook que permitiu associá-los a um acto de vandalismo

  • Uma estudante da Universidade da Pensilvânia que viu recusado o seu diploma de professora pelo facto da universidade considerar que ela promovia o consumo de bebidas alcoólicas por menores, em resultado de uma foto intitulada Pirata Bêbada que a estudante havia colocado no MySpace

Este último caso é desenvolvido em pormenor no site da MTV, sob o título "Woman Denied Degree Over 'Drunken Pirate' MySpace Photo Sues School".

 

Ainda segundo o Times Online, um estudo de 600 empresas britânicas revelou que uma em cada cinco empresas usa sites de redes sociais para recusar potenciais candidatos.

 

Independentemente de poderemos considerar estes exemplo excessivos, brandos, correctos ou incorrectos, servem de exemplos que nos podem ajudar a fazer ver aos jovens as potenciais consequências resultantes da utilização irresponsável de sites de redes sociais. É que, contrariamente ao que poderão ser levados a pensar, os sites de redes sociais não são espaços fechados. Os comentários e as fotos que aí se colocam é como se fossem colocados num painel publicitário em plena baixa. Com assinatura e tudo! Em função disto, é bom que pensem bem no que colocam neste tipo de sites. Sobretudo antes de o fazerem. Antes de se entregarem a praxes académicas excessivas e antes de se candidatarem a um emprego.

Nova Tendência?

Tito de Morais, 06.08.07

Há dias, o semanário SOL noticiava "Alerta - Site pedófilo publicita eventos para crianças", relativo ao caso de um site holandês que está a ser investigado pela polícia de Montreal, no Canadá, por publicitar um festival dedicado a crianças que vai ter lugar naquela cidade, como um bom local para ver raparigas pequenas, acrescentando que ver raparigas pode ser "uma actividade enriquecedora". O SOL acrescenta que para além deste festival, o site "apresenta ainda uma lista com vários eventos que vão ser realizados na América do Norte, classificados com pequenos corações".

 

Consegui localizar a fonte original da notícia do SOL e daí o site referido pela notícia. Este define-se como "um local para pedófilos, especialmente apreciadores de raparigas, se maravilharem com o charme e a beleza extrema de pequenas raparigas para afirmar o ideal de relações românticas consensuais entre adultos e raparigas amorosas". Mas acrescenta ainda, "pretende também demonstrar aqueles que não partilham a nossa atracção que um verdadeiro pedófilo não é um molestador de crianças", para concluir a apresentação afirmando "aqui pode-se encontrar uma variedade de recursos sobre o tópico da pedofilia, incluindo imagens, poesia, ensaios, análises e um extenso catálogo de hiperligações". A título de curiosidade refira-se que dispõe versões em inglês, alemão, espanhol, checo, polaco, francês e italiano.

 

Coincidentemente, conforme uma amiga me chamou à atenção, os Estados Unidos confrontam-se com um problema semelhante desde, pelo menos, Março passado.

 

Logotipo da FOX NewsDe facto em finais de Março, sob o título "Seattle-Area Pedophile Has 'How-to' Web Site for Men Seeking Little Girl Activities", a Fox News noticiava o o caso de um website criado por um pedófilo assumido - mas que nunca foi condenado por qualquer crime sexual - e que constitui um verdadeiro manual virtual sobre "como fazer" (how-to), completo com os melhores locais da zona oeste do Estado de Washington para ver raparigas e dicas sobre como evitar ser apanhado pela polícia. A polícia estava a par do site e acrescentava que, "por muito perturbador e ofensivo que possamos considerar, não há indícios de crime ou sequer a suspeita de actividade ilegal". Segundo o pedófilo assumido, o site pretende promover a associação, amizade e os abraços e carinhos legais entre homens e raparigas pré-adolescentes, admitindo à FOX News sentir-se atraido por raparigas com idades entre os 3 e os 11 anos de idade. Segundo afirmou, pretende fazer os pedófilos "sairem do armário" e dar-lhes um meio de escape, incentivando-os a sairem e estarem ao pé de raparigas, enumerando para um efeito uma série de locais. Na sequência de contactos da FOX com a empresa que procedia ao alojamento do site, esta bloqueou o acesso ao site e afirmou estar a proceder a investigações no sentido de averiguar se neste haveria algum conteúdo ilegal. Pelo menos uma escola da região escreveu uma carta ao proprietário do site alertando-o que se este entrasse nas suas instalações tal seria considerado invasão de propriedade privada e solicitaria a sua detenção. Ainda segundo a Fox News, a polícia e procuradores do Estado estavam a acompanhar o caso com atenção e um grupo de legisladores estava a considerar uma nova lei para lidar com este tipo de websites. Entretanto, o seu proprietário é livre de continuar a promover e incentivar a pedofilia.

 

Logotipo do The New York TimesJá em finais de Julho, sob o título "Parents’ Ire Grows at Pedophile’s Unabashed Blog" o New York Times noticiava que o mesmo pedófilo referido na notícia da Fox News prosseguia agora as suas actividades em Los Angeles, o que havia suscitado a ira de alguns grupos de pais e mães. Segundo afirma o correspondente do NY Times em Los Angeles, a polícia local afirma ter a pessoa em questão sob vigilância, mas afirma também não dispor de mecanismos legais que permitam a sua detenção. Segundo o NY Times, os grupos que se insurgem contra a actuação deste pedófilo assumido enfrentam uma estrada difícil. É que, segundo especialistas no domínio da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que trata da Liberade de Expressão, enquanto a publicação de imagens de crianças em poses sexuais é crime, a publicação de imagens de crianças vestidas em poses do quotidiano não é ilegal. No entanto, um dos especialistas citado na notícia do NY Times refere um estatuto federal que proibe a publicação de informação na Internet sobre como fazer bombas, sugerindo que um estatuto similar poderia ser usado para banir a informação que ajude pessoas a encontrar crianças com o objectivo de as molestar.

 

Logtipo da ABC NewsSob o título, "Mothers Fight Back Against Pedophile's Web Site", a ABC News também noticiou o caso acima referido, sublinhando o facto das forças policiais pouco poderem fazer para lhe por cobro dado a lei não estar a ser violada. No entanto, no site da ABC News, um outro caso chamou-me à atenção. Sob o título "Sugar and Spice ... but Not So Nice?", esta estação televisiva norte-americana noticia o caso de um outro auto-proclamado pedófilo que recorre a uma estratégia diferente, operando abertamente um site a partir dos Países Baixos especificamente concebido para parecer um site para crianças. Segundo declarações prestadas por telefone à CBS News, o site visa atrair e "ensinar jovens raparigas sobre relacionamentos românticos com adultos". Tal como o caso anterior, também este pedófilo afirma nunca ter tido relações físicas com crianças. Segundo especialistas consultados pela CBS News, este tipo de sites operam numa zona cinzenta da lei, mas poderão estar a violar o Child Online Privacy Protection Act, uma lei que nos Estados Unidos impede a solicitação de dados pessoais a menores de 13 anos sem o consentimento parental prévio. A título de curiosidade, refira-se que o site referido neste parágrafo é operado pela mesma pessoa que gere o que está a causar polémica no Canadá e que referi no início deste artigo.

 

Capa da NewsweekSob o título "A Law-Abiding Pedophile?", a Newsweek também dá relevo ao caso do pedófilo de Los Angeles, incluindo uma interessante entrevista sobre o caso com Ernie Allen, Presidente e CEO do International Centre for Missing & Exploited Children.

 

No entanto, as desventuras do pedófilo de Los Angeles parecem ter tido mais um revés. Segundo um dos sites criados para se opor às actividades deste pedófilo, um juíz californiano determinou o impedimento deste colocar online imagens de pequenas raparigas, impedindo-o também de ter qualquer contacto com crianças em todo o estado da Califórnia. A decisão obriga o pedófilo a manter uma distância mánima de 10 jardas de qualquer menor e impede-o de ter qualquer contacto com crianças por telefone, correio ou email. No meu ponto de vista, dadas as explorações das zonas cinzentas da lei que estes casos insinuam, poderá aqui estar mais uma lacuna. Ao ser específico, o juíz poderá ter ignorado meios de contacto como as mensagens instantâneas, a voz sobre IP, etc.

Obesidade e Internet

Tito de Morais, 06.08.07

Imagem representando obesidadeRecentemente o artigo "Crianças, Fast Food e Internet" suscitou alguns comentários dos leitores relativamente ao problema da obesidade infantil, mas não só, em Portugal. Nem de propósito, uns dias depois o Público, entre outros órgãos de comunicação social, noticiava "Portugueses cada vez mais obsesos", não fornecendo no entanto dados relativamente à dimensão deste saúde pública ao nível infantil e juvenil. No entanto, destaco uma citação de João Breda, responsável pela Plataforma Contra a Obesidade que confirma um comentário feito por um leitor a propósito deste artigo: "Contra factos não há argumentos. Estes dados comprovam que a epidemia [da obesidade] está em curso acelerado". Coincidentemente, no mesmo dia em que li esta notícia, tive oportunidade de ver um anúncio televisivo sobre o relançamento de um site de produtos alimentares destinado ao público infantil e juvenil.

Redes Sociais Infantis

Tito de Morais, 06.08.07

Imagem do Club PenguinNo artigo "Amigos" e Redes Sociais, referi as principais redes sociais acedidas a partir de Portugal. Geralmente, nas suas Condições de Utilização, estas referem que a sua utilização só é permitida a utilizadores maiores de 13 ou 15 anos. As grandes marcas e empresas no domínio dos média, apercebendo-se do grande impacto das redes sociais nos adolescentes apressaram-se a adquirir as principais. Apercebendo-se desse impacto, começaram também a proliferar as redes sociais para crianças, isto é, destinadas especificamente a crianças e pré-adolescentes. Daí que não seja de estranhar a notícia, destes primeiros dias de Agosto, da aquisição do Club Penguin pela Disney.

 

Mas o que é o Club Penguin? Lançado em Outubro de 2005, o Club Penguin destina-se a crianças e pré-adolescentes, permitindo aos visitantes do site adoptar, dar o nome, alimentar e vestir pinguins virtuais, conversar e jogar com outros utilizadores.

 

O Semanário Sol, entre outros, noticiou a aquisição. Mas com uma "ligeira" incorrecção. O Sol refere que a Disney deu 350 mil dólares pelo Club Penguin, podendo este montante vir a atingir os 700 mil dólares caso a empresa atinja os seus objectivos. Pois... não são 350 mil dólares... são "apenas" 350 MILHÕES de dólares, podendo o negócio vir a atingir os 700 MILHÕES de dólares, como noticia o Los Angeles Times (Disney buying Club Penguin website).

 

Os números acima referidos dão-nos uma ideia da importância atribuída a este novo mercado pelas principais empresas de média. Mas eis mais alguns números referidos pelo LA Times que nos ajudam a ter uma ideia da dimensão do Club Penguin:

  • 700.000 assinantes (assinaturas pagas)
  • 12 milhões de utilizadores registados, a maioria nos EUA e no Canadá.

Para um site lançado há menos de 2 anos, é obra!

 

Mas o Club Penguin não é o único player neste mercado. Izzy Neis, uma aficionada da cultura popular (especialmente no domínio do entretenimento para crianças), refere cerca de 3 dezenas no seu blogue, no artigo "Worthy Tween/Kid Communities". Neste, alguns utilizadores acrescentam ainda mais alguns nos comentários. Dos sites acima referidos como recomendados para crianças e pré-adolescentes (até aos 13 anos), apenas os seguintes apresentam versões em língua portuguesa:

Dada a escassez, suspeito não demorará muito tempo até surgirem projectos neste domínio em língua portuguesa.

 

Verificando a lista acima referida, provavelmente aperceber-se-á que alguns daqueles que os seus miúdos usam não figura na listagem, nomeadamente o Habbo. Se o site que os seus miúdos usam não se encontra nesta listagem, provavelmente estará numa outra onde são referidos sites que, aparentando visualmente ser para crianças e pré-adolescentes, na realidade se destinam a utilizadores com mais de 13/14 ou 15 anos. Pode ver informação sobre estes últimos no artigo "Communities NOT for Kids/Tweens".

 

Segundo Izzi Neis, a ideia da criação desta segunda listagem - de sites que não se destinam a utilizadores menores de 14 anos - surgiu-lhe ao constatar que muitos pais não faziam a mínima ideia que alguns destes sites, de aparência visual infantil ou juvenil, não se destinam na realidade a crianças ou pré-adolescentes. Izzi acrescenta ainda que, apesar de genuinamente gostar da maioria destes sites, sentiu que devia fazer o alerta pois eles NÃO SE DESTINAM A PESSOAS COM MENOS DE 13 ANOS DE IDADE (e por vezes até 14/15 anos de idade). E como conclui Izzi Neis, é sempre boa ideia dar uma vista de olhos às políticas de privacidade dos sites para obter informação relativamente a limites de idade.

Cyberbullying, Vídeos e Professores

Tito de Morais, 03.08.07
Imagem do vídeo de um assaltoNa sequência do programa da BBC "Panorama: Children's Fight Club", transmitido no passado dia 30 de Julho e que pode ser visto seguindo o link anterior, escrevi o post "Crianças, Lutas e Internet". No entanto, passou-me despercebida a notícia da SkyNews sob o título "Teachers Want YouTube Shut Down". O Tek de ontem noticiou o assunto sob o título "Associação britânica de professores exige encerramento de YouTube e MySpace".

Sou de opinião que a posição expressa pela Associação Profissional de Professores do Reino Unido, a ser seguida, não resolve nada. Pelo contrário. Será mesmo um erro básico. Apenas fará com que esse tipo de conteúdos migrem para outros sites menos conhecidos ou até exclusivamente dedicados a esse tipo de conteúdos. Sim, esse tipo de sites existe. Lucram com a disponibilização desse tipo de vídeos de violência extrema e gratuita. Lucram graças à publicidade vinculada nas suas páginas incluindo, pelo menos, um anunciante português.

Banir sites como o YouTube, por exemplo, seria também privar crianças, jovens e adultos de uma ferramenta que pode ser usada em termos educativos. A solução, quanto a mim passa sobretudo pela adopção, por parte deste tipo de sites, de Termos e Condições de Utilização que não tolerem este tipo de conteúdos. A solução, quanto a mim, passa por esses sites actuarem rapidamente perante as denúncias dos utilizadores. A solução, quanto a mim, passa pelos utilizadores não se calarem e permanecerem impassíveis, optando antes por tomar uma posição denunciando os conteúdos que detectem e que violem os valores que defendem. A solução, quanto a mim, passa finalmente pela promoção activa da utilização deste tipo de recursos de uma forma construtiva e educativa. E para isso é necessário o envolvimento activo de famílias, escolas e comunidades.

Enquanto os proprietários deste tipo de sites não seguirem as sugestões que aqui faço, estarão a abrir a porta a posições extremistas como as da Associação Profissional de Professores britânica. O cyberbullying é um fenómeno preocupante para o qual é necessária acção. Mas não é banindo sites como o You Tube que se resolve.

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