Seja no Facebook, através da minha conta pessoal ou do Projeto MiudosSegurosNa.Net, ou por email, recebo inúmeras perguntas de pais, encarregados de educação, professores, educadores e outros profissionais sobre a segurança online de crianças e jovens. Este artigo, aprofunda uma dessas mensagens.
As perguntas que recebo são extremamente interessantes e a partilhar essas respostas através de artigos podem ajudar outros leitores que se revejam nas perguntas e até nas respostas. Daí a utilidade em as partilhar, mantendo todavia o anonimato de quem comigo partilha as suas preocupações. É isso que procurarei começar a fazer amiúde neste blog.
Chats & Segurança
A mensagem chegou primeiro à conta do Projeto MiudosSegurosNa.Net no Facebook, uma noite destas:
Boa noite,
A minha filha de 14 anos descobriu um chat onde conversa em inglês com pessoas que não conhece desenrolando-se tudo na base de role play à volta do filme Hunger Games. Questiono-me sobre a segurança deste tipo de chats e a proibição pura e simples só irá aguçar mais a vontade de os frequentar. Combinámos, então, que eu vos iria pedir ajuda no sentido de saber se realmente representa perigo ou se eu estou a exagerar! Agradeço, então, a vossa ajuda. O chat em questão é o 'Chatzy'.
Melhores cumprimentos.
[Nome Omitido]
A Resposta
A resposta foi enviada através do Facebook:
Estimada [Nome Omitido],
Obrigado pela sua mensagem e por partilhar a sua preocupação.
A sua filha está a tirar partido de uma das oportunidades que a Internet lhe oferece, no caso, conhecer outras pessoas com um interesse em comum (Hunger Games) e praticar e desenvolver os seus conhecimentos de inglês e praticar role play. É excelente que ela possa beneficiar destas oportunidades.
As salas de chat, em si, não são um risco, no entanto, podem colocar a sua filha em contacto com pessoas cujo interesse pelo Hunger Games poderá não passar de um pretexto para entrar em contacto com jovens para outro fins.
Visitei o Chatzy - um serviço baseado na Roménia - e verifiquei que não disponibiliza qualquer informação sobre segurança - para além dos termos e condições de utilização do serviço e da política de privacidade - nem tão pouco informação para pais e encarregados de educação.
Como afirma, a proibição raramente é solução. Assim e uma vez que me parece que ambas têm um bom diálogo, sugiro que acertem entre vós um conjunto de regras para que ela possa usar o serviço de uma forma que a deixe a si descansada relativamente à segurança dela. No entanto, tenham sempre presente que o inesperado pode acontecer e por isso, convém acertarem o que fazer nessa eventualidade.
Por fim, remeto-vos para este documento com dicas de segurança para adolescentes (PDF).
Espero ter ajudado.
Cumprimentos
Tito de Morais
Novamente Por Email
Na sequência da visita à página do Projecto MiudosSegurosNa.Net no Facebook, a leitora visitou o site, subscreveu a newsletter e enviou novamente a pergunta, mas com uma ligeira variante.
Boa tarde!
Respondendo à sua solicitação, a pergunta que gostaria de lhe fazer tem a ver com a forma como transmitir aos adolescentes as questões relacionadas com a segurança na internet sem parecer/ser paranóica!
A minha filha de 14 anos descobriu os chats e acha que é tudo boa gente e que não a conseguem identificar, porque ela não transmite informação completa nem identificação de espécie nenhuma. Eu que sou 'cota' não gosto nada que ela fale com estranhos e tento estabelecer comparação entre o que acontece na internet e o que se passa na rua, em que não lhe passa pela cabeça falar com quem não conhece. Ela acha que eu estou a exagerar. Enfim, se calhar estou, mas as desgraças não acontecem só aos outros, certo? Como conseguir sensibilizá-la para este tipo de riscos?
Fico a aguardar a sua resposta e agradeço toda a atenção dispensada.
Melhores cumprimentos.
[Nome Omitido]
À mensagem de email e presumindo que a leitora não havia lido a resposta fornecida através do Facebook, respondi remetendo para a mesma:
Estimada [Nome Omitido],
Segue abaixo a resposta à sua pergunta que lhe fornecemos através do Facebook. Qualquer informação ou esclarecimento adicional de que tenha necessidade, não hesite em voltar ao contacto.
E Como Fazer Passar a Mensagem?
Na precipitação da resposta, não me apercebera que a pergunta não era exatamente a mesma, contendo um ligeira variação, para a qual a leitora simpaticamente me chamou à atenção em nova mensagem:
Caro Tito de Morais,
Agradeço a sua pronta resposta. Foi-me muito útil e permitiu-me conversar com a minha filha de uma forma mais tranquila. É que os 'alarmes de mãe' quando disparam podem toldar o raciocínio!... ;)
Tinha, entretanto, enviado um e-mail para as perguntas do site em que coloco a questão de como fazer passar a mensagem para os adolescentes que acham sempre que sabem tudo sobre a internet e que se acham sempre em segurança. O facto de estarem nas suas casas, nos seus quartos, leva-os a pensar que os riscos ficam fora da porta.
Fico-lhe muito grata pela disponibilidade e atenção demonstradas.
Os melhores cumprimentos.
[Nome Omitido]
O Diálogo: Nunca é Demais!
Felizmente, estava perante uma leitora atenta! De outro modo, a ligeira variante da pergunta ter-me-ia escapado.
Estimada [Nome Omitido],
Folgo em saber que a minha resposta foi útil.
A fronteira entre o nosso dever de estimular a autonomia nos nossos filhos e a obrigação de os proteger é uma dicotomia que nem sempre é fácil de gerir, e os "alarmes" de que fala são sinal de que está envolvida e que a segurança da sua filha não lhe é indiferente.
Relativamente à sua outra pergunta, as dicas que referi servem para o efeito.
Por outro lado, para a ajudar na conversa, este artigo da minha colega Marian Merritt pode ajudá-la: Dê Inicio à Conversa
Espero ter dado mais ajuda para cimentar o diálogo com a sua filha. A criação de uma relação de confiança entre ambas é essencial. Todos podemos cometer erros, mas se tal acontecer é consigo que ela deve procurar ajuda para se livrar de qualquer "embrulhada" em que se possa meter! Sem receios de represálias, porque a sua preocupação será ajudá-la! :)
Com os meus melhores cumprimentos
Atentamente
Tito de Morais
No dia seguinte, ocorreu-me que em tempos já tinha escrito especificamente sobre a questão dos chats, pelo que se justificou o envio de nova mensagem:
Estimada [Nome Omitido],
Na sequência da minha mensagem anterior, lembrei-me de dois artigos que escrevi faz tempo, mas que se mantêm atuais e que, acredito a podem ajudar.
Aqui vão as ligações respetivas:
Cumprimentos
Tito de Morais
A terminar, fica a faltar a perspetiva da jovem, isto é, o que ela achou disto tudo. Quem sabe, um dia leremos esse feedback aqui nos comentários.
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