Na sequência da publicação anterior, este é o quinto mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.
A maioria (60 por cento) dos agressores – online ou offline – já foram eles próprios vítimas de agressões por terceiros e 40 por cento dos agressores online já foram agredidos online. Mas aqueles que já agrediram e foram agredidos online, tendem a ser psicologicamente mais vulneráveis, sugerindo um ciclo vicioso de comportamento que prejudica tanto a vítima quanto o agressor.
Aqui discordo. Os bullies, são mesmo vilões. O facto da maioria ou grande parte dos agressores – online ou offline - já terem sido vítimas de outros agressores não pode servir de desculpa para as suas acções indesculpáveis. Do mesmo modo que o facto de muitos abusadores sexuais já terem sido, eles próprios, vítima de abuso, não pode servir de atenuante, acho que o mesmo se aplica ao bullying. Seja online ou offline. O ciclo vicioso a que o texto alude não é mito. É uma realidade. E é uma realidade que não se combater com compreensão, mas com tolerância zero. Se há algo que tal deve despertar em nós, não é compreensão, mas despertar-nos para a próxima dica que lhe deixo: Seja intolerante com o bullying: as vítimas de hoje podem ser os agressores de amanhã. Só assim conseguiremos quebrar o ciclo vicioso a que alude o texto.
Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:
Na sequência da publicação anterior, este é o quarto mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.
As estimativas relativas à exposição à pornografia online são mais baixas do que o que muitos anteciparam – um quarto viu imagens sexuais online ou offline no ano passado e um em cada sete viu-as online, subindo para um quarto dos adolescentes mais velhos. Mesmo assumindo alguma sub-notificação, parece que a promoção excessiva dos media relativamente à pornografia é baseada em amostras não-representativas ou a mera suposição.
Concordo com este mito. Quando ouço uma afirmação deste género, geralmente considero-a revelador do que andam a fazer na Internet as pessoas que proferem este tipo de afirmações. De todo o modo, se por um lado acho que 15 ou 25% não são percentagens para se subestimar neste tipo de questões, concordo que os media contribuem para que, por vezes, se tome a nuvem por Juno. No entanto, se o tema do acesso voluntário ou involuntário, sobretudo dos mais pequenos, a conteúdos impróprios – e não só no domínio da pornografia, mas também aqueles sobre os quais a comunicação social não fala tanto – a tecnologia pode dar uma ajuda, mas só por si não resolve. Assim, parece-me relevante deixar esta mensagem: Considere se precisa da ajuda de um programa de controlo parental. No entanto, tenha presente que não há tecnologias infalíveis e que a tecnologia, só por si não resolve. Mas pode ajudar.
Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:
Na sequência da publicação anterior, este é o terceiro mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.
Com 38% das crianças entre os 9 e os 12 anos a terem um perfil numa rede social, é claro que os limites de idade não funcionam. Uma vez que muitos utilizadores abaixo dessa idade se registaram com uma idade falsa, mesmo que o fornecedor desenvolvesse definições de segurança e privacidade à medida das crianças mais jovens, eles não as conseguiriam identificar. Alguns jovens utilizadores de redes sociais têm perfis públicos que exibem informações pessoais e alguns contactam pessoas com quem não se encontraram. Deverão os fornecedores fortalecer as suas protecções? Ou livrar-se completamente dos limites de idade?
Não me parece que seja um mito. A minha percepção é que a maioria das pessoas têm a noção do limite etário das redes sociais e da facilidade com que pode ser ultrapassado, concordando neste aspecto com o que é referido. A minha percepção também é a de que muitos jovens – e adultos também – têm os seus perfis públicos. Muitas vezes sem o saberem. As duas questões que os estudo coloca são actualmente alvo de debate. O que me parece relevante e a dica que deixo é: Não se abstraia da vida online das suas crianças e jovens. De facto, os filhos precisam de pais online e offline. Crie um perfil nas redes sociais em que os seus filhos participam. As redes sociais podem ser uma excelente “ferramenta auxiliar de diagnóstico”. Convide, incentive, apoie e estimule os seus restantes familiares a fazerem o mesmo. Hoje em dia, a família deve ser família, online e offline. E se acha que os seus filhos ainda são demasiado pequenos para terem um perfil numa rede social, porque não começar por uma rede social para crianças – especificamente desenvolvida para menores de 13 anos de idade - ou por uma rede social familiar?
Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:
Os comentários são bem vindos.
Na sequência da publicação anterior, este é o segundo mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.
No mês passado, apenas um em cada cinco usou um site de partilha de ficheiros ou criou um avatar e metade desse número escreveu um blog. As actividades criativas são mais raras entre as crianças mais jovens. Embora as redes sociais tornem mais fácil disponibilizar conteúdos, a maioria das crianças usa a Internet para aceder a conteúdos já feitos, produzidos em massa.
Apesar de não ver os sites de partilha de ficheiros e a criação de avatars como os melhores exemplos no domínio da criação de conteúdos, ao contrário do que acontece com um blog, tendo a concordar com este mito. De facto, os media sociais potenciam a criação de conteúdos, mas a maioria – sejam, crianças, jovens ou adultos – é mais consumidor ou replicador de conteúdos do que criador. Desta forma, não potenciamos o real valor dos media sociais. Assim, o que me parece relevante e a dica que lhe deixo é: Apoie, incentive e estimule nas suas crianças e jovens o desenvolvimento de actividades criativas online. Só assim elas conseguirão maximizar o potencial positivo da Internet. Por exemplo, incentivar e estimular a escrita de um blog sobre um tema ou actividade que lhes seja querida, a ilustração do mesmo com desenhos, fotografias, vídeos da sua autoria. Um desafio: crie um blog familiar com os seus filhos, sobrinhos, netos. Se for professor, crie um blog com as suas turmas para acompanhar a disciplina que lecciona. E se as questões de segurança são uma preocupação, faça o blog privado ou acessível apenas por convite. E depois pode associá-lo a uma conta no Twitter, no Facebook, no YouTube, etc.
Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:
Os comentários são bem vindos.
Na sequência da publicação anterior, este é o primeiro mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.
Tem-se exagerado ao dizer que as crianças sabem mais que os seus pais – apenas 36 por cento dos jovens dos 9 aos 16 anos dizem que é verdade que “eu sei mais sobre a Internet que os meus pais” – 31 por cento disseram “um pouco verdade”, e dois em três entre os 9-10 anos de idade dizem “não é verdade”. Falar de nativos digitais obscurece a necessidade de apoiar as crianças no desenvolvimento de competências digitais.
Nas muitas acções de sensibilização/formação em que participo como formador/orador um pouco por todo o país, costumo perguntar “quem percebe mais de computadores e de Internet?”. A esmagadora maioria das vezes, são os filhos. Assim, a minha percepção não corresponde à do estudo. Na minha experiência, esta é uma verdade e não um mito. É sobretudo verdade em meios sócio-económicos mais desfavorecidos, meios rurais e para jovens adolescentes. É mais mito, em meios urbanos, meios sócio-económicos mais favorecidos e crianças mais pequenas (menores de 10 anos).
O que me parece um mito é dizer-se que a diferença entre as competências digitais entre adultos e crianças tende a esbater-se com o tempo. Poderá pensar-se que há medida que as gerações mais novas se tornam pais, essas diferenças esbater-se-ão. Mas isso faz sentido numa realidade estática. Não nos podemos esquecer que as tecnologias estão em permanente evolução e aquilo que hoje é o último grito, amanhã não é novidade. A novidade será outra coisa qualquer. Por outro lado, acho que as crianças têm uma maior elasticidade mental que lhes permite adaptarem-se com mais facilidade e ficaram mais competentes mais rapidamente que os adultos. Resumindo, quando os pais aprendem a acertar o relógio do vídeo, o importante e relevante é aprenderem a fazer uma coisa qualquer no iPad.
Mas a mensagem essencial que me parece ser necessário passar (e que se vislumbra no texto) é que os adultos – pais, encarregados de educação, irmãos mais velhos, tios, avós, professores e educadores – possuem competências (digitais ou não digitais, não me parece relevante) que as crianças e os jovens ou não possuem ou não têm tão desenvolvidas. Nesse sentido, o seu apoio é essencial para que as crianças e os jovens possam adquirir e desenvolver as suas competências digitais. E o inverso também é verdade. Assim, a dica que deixo é: Usem os computadores e a Internet com as vossas crianças e jovens: ambos têm coisas para ensinar e a aprender.
Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:
No seu relatório publicado no passado dia 22 de Setembro, o projecto EuKidsOnline inclui uma lista sobre o que considera ser os 10 maiores mitos sobre riscos online para crianças. No texto afirma-se:
Os mitos sobre a segurança na Internet tendem a exagerar ou a simplificar em demasia, e muitas vezes estão desactualizados.
Tenho que os dados resultantes de uma investigação conduzida cientificamente, geralmente não são incontestáveis, nem infalíveis. Sobretudo as ilações que se retiram dos resultados. Todavia, fornecem-nos sempre informação para suscitar o debate, a reflexão e a acção. A principal crítica que esta lista me oferece é que não se me apresenta como uma abordagem pela positiva, isto é, não sublinha dicas e conselhos sobre o que podemos ou devemos fazer para minimizar os riscos a que crianças e jovens podem estar expostos online. E isso é o que pais, encarregados de educação, professores e educadores precisam.
Daí ter decidido comentá-los, um por um, nas próximas publicações, dando assim meu contributo para debate. No caso concreto, note-se que se tratam de uma investigação pan-europeia envolvendo diversos países, incluindo Portugal e que naturalmente os dados variam de país para país. Neste caso, será interessante saber até que ponto os dados da investigação nacional permitem chegar-se aos mesmos mitos. Noto ainda que faço parte do Conselho Consultivo da equipa portuguesa do Projecto EuKidsOnline e irei convidar os membros da equipa nacional a participarem aqui no eventual debate que por aqui se suscitar.
Aqui fica, então, a listagem dos mitos, segundo o projecto EuKidsOnline:
No passado dia 14 de Julho participei como orador no 7º Ignite Portugal, que teve lugar no Porto, no The Hub. Para quem não sabe, o Ignite é um evento que se caracteriza por uma série de curtas apresentações de 5 minutos em 20 slides. Cada slide é apresentado por 15 segundos e estes avançam automaticamente.
Era para já ter participado no 2º Ignite Portugal, mas à última da hora, não pude estar presente por motivos profissionais inadiáveis. À segunda foi de vez. Gostei da experiência e fiquei com vontade de voltar a participar.
O programa desta 7ª edição, com os nomes de todos os oradores e títulos das respectivas apresentações podem ser consultadas no blog oficial do evento.
Graças ao blog "O Porto em Conversa" pode ouvir as gravações áudio de todas apresentações desta edição e de outras anteriores.
Com a autorização do @VitorSilva, peguei na gravação áudio da minha intervenção e no PowerPoint da mesma e com recorrendo ao SlideShare, criei o SlideCast que disponibilizo abaixo.
Título de Apresentação: O Martelo de Maslow
Resumo da Apresentação: No que diz respeito à segurança online em geral e de crianças e jovens em particular, a generalidade dos adultos procura uma solução do tipo "bala de prata". Infelizmente, não se apercebem que a tal "bala de prata" é fruto da ficção e que, quanto muito, a tal solução é na realidade um martelo.
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