Na sequência da publicação anterior, este é o primeiro mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.
Tem-se exagerado ao dizer que as crianças sabem mais que os seus pais – apenas 36 por cento dos jovens dos 9 aos 16 anos dizem que é verdade que “eu sei mais sobre a Internet que os meus pais” – 31 por cento disseram “um pouco verdade”, e dois em três entre os 9-10 anos de idade dizem “não é verdade”. Falar de nativos digitais obscurece a necessidade de apoiar as crianças no desenvolvimento de competências digitais.
Nas muitas acções de sensibilização/formação em que participo como formador/orador um pouco por todo o país, costumo perguntar “quem percebe mais de computadores e de Internet?”. A esmagadora maioria das vezes, são os filhos. Assim, a minha percepção não corresponde à do estudo. Na minha experiência, esta é uma verdade e não um mito. É sobretudo verdade em meios sócio-económicos mais desfavorecidos, meios rurais e para jovens adolescentes. É mais mito, em meios urbanos, meios sócio-económicos mais favorecidos e crianças mais pequenas (menores de 10 anos).
O que me parece um mito é dizer-se que a diferença entre as competências digitais entre adultos e crianças tende a esbater-se com o tempo. Poderá pensar-se que há medida que as gerações mais novas se tornam pais, essas diferenças esbater-se-ão. Mas isso faz sentido numa realidade estática. Não nos podemos esquecer que as tecnologias estão em permanente evolução e aquilo que hoje é o último grito, amanhã não é novidade. A novidade será outra coisa qualquer. Por outro lado, acho que as crianças têm uma maior elasticidade mental que lhes permite adaptarem-se com mais facilidade e ficaram mais competentes mais rapidamente que os adultos. Resumindo, quando os pais aprendem a acertar o relógio do vídeo, o importante e relevante é aprenderem a fazer uma coisa qualquer no iPad.
Mas a mensagem essencial que me parece ser necessário passar (e que se vislumbra no texto) é que os adultos – pais, encarregados de educação, irmãos mais velhos, tios, avós, professores e educadores – possuem competências (digitais ou não digitais, não me parece relevante) que as crianças e os jovens ou não possuem ou não têm tão desenvolvidas. Nesse sentido, o seu apoio é essencial para que as crianças e os jovens possam adquirir e desenvolver as suas competências digitais. E o inverso também é verdade. Assim, a dica que deixo é: Usem os computadores e a Internet com as vossas crianças e jovens: ambos têm coisas para ensinar e a aprender.
Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:
No seu relatório publicado no passado dia 22 de Setembro, o projecto EuKidsOnline inclui uma lista sobre o que considera ser os 10 maiores mitos sobre riscos online para crianças. No texto afirma-se:
Os mitos sobre a segurança na Internet tendem a exagerar ou a simplificar em demasia, e muitas vezes estão desactualizados.
Tenho que os dados resultantes de uma investigação conduzida cientificamente, geralmente não são incontestáveis, nem infalíveis. Sobretudo as ilações que se retiram dos resultados. Todavia, fornecem-nos sempre informação para suscitar o debate, a reflexão e a acção. A principal crítica que esta lista me oferece é que não se me apresenta como uma abordagem pela positiva, isto é, não sublinha dicas e conselhos sobre o que podemos ou devemos fazer para minimizar os riscos a que crianças e jovens podem estar expostos online. E isso é o que pais, encarregados de educação, professores e educadores precisam.
Daí ter decidido comentá-los, um por um, nas próximas publicações, dando assim meu contributo para debate. No caso concreto, note-se que se tratam de uma investigação pan-europeia envolvendo diversos países, incluindo Portugal e que naturalmente os dados variam de país para país. Neste caso, será interessante saber até que ponto os dados da investigação nacional permitem chegar-se aos mesmos mitos. Noto ainda que faço parte do Conselho Consultivo da equipa portuguesa do Projecto EuKidsOnline e irei convidar os membros da equipa nacional a participarem aqui no eventual debate que por aqui se suscitar.
Aqui fica, então, a listagem dos mitos, segundo o projecto EuKidsOnline:
No dia 2 de Janeiro dei-me conta de um artigo de opinião publicado nos últimos dias do ano passado no Washington Post: "Five myths about bullying". Da autoria de Susan M. Swearer, professora associada da Universidade do Nebraska, em Lincoln, nos EUA, co-autora de "Bullying Prevention and Intervention: Realistics Strategies for Schools" e co-directora da Bullying Research Network, o artigo dá-nos a conhecer e desenvolve os cinco principais mitos sobre o bullying:
1. Agora, a maioria do bullying acontece online
2. Os agressores são agressores e as vítimas são vítimas
3. O bullying acaba quando crescemos
4. O bullying é uma das principais causas de suicídio
5. Podemos acabar com o bullying
Vale a pena ler o desenvolvimento (em inglês) aqui. E já agora, aproveite para ler sobre outros mitos, nomeadamente "Five myths about Facebook".
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