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Miúdos Seguros Na Net - Promover a Segurança de Crianças e Jovens na Internet

Minimizar Riscos, Maximizar Benefícios.

Miúdos Seguros Na Net - Promover a Segurança de Crianças e Jovens na Internet

Minimizar Riscos, Maximizar Benefícios.

Mito #1: Os nativos digitais sabem tudo

Tito de Morais, 26.09.11
Imagem: Mito #1 - Fonte da imagem: http://sxc.hu/photo/1210437

Na sequência da publicação anterior, este é o primeiro mito referido no relatório do projecto EuKidsOnline.

 

Tem-se exagerado ao dizer que as crianças sabem mais que os seus pais – apenas 36 por cento dos jovens dos 9 aos 16 anos dizem que é verdade que “eu sei mais sobre a Internet que os meus pais” – 31 por cento disseram “um pouco verdade”, e dois em três entre os 9-10 anos de idade dizem “não é verdade”. Falar de nativos digitais obscurece a necessidade de apoiar as crianças no desenvolvimento de competências digitais.

 

Nas muitas acções de sensibilização/formação em que participo como formador/orador um pouco por todo o país, costumo perguntar “quem percebe mais de computadores e de Internet?”. A esmagadora maioria das vezes, são os filhos. Assim, a minha percepção não corresponde à do estudo. Na minha experiência, esta é uma verdade e não um mito. É sobretudo verdade em meios sócio-económicos mais desfavorecidos, meios rurais e para jovens adolescentes. É mais mito, em meios urbanos, meios sócio-económicos mais favorecidos e crianças mais pequenas (menores de 10 anos).

 

O que me parece um mito é dizer-se que a diferença entre as competências digitais entre adultos e crianças tende a esbater-se com o tempo. Poderá pensar-se que há medida que as gerações mais novas se tornam pais, essas diferenças esbater-se-ão. Mas isso faz sentido numa realidade estática. Não nos podemos esquecer que as tecnologias estão em permanente evolução e aquilo que hoje é o último grito, amanhã não é novidade. A novidade será outra coisa qualquer. Por outro lado, acho que as crianças têm uma maior elasticidade mental que lhes permite adaptarem-se com mais facilidade e ficaram mais competentes mais rapidamente que os adultos. Resumindo, quando os pais aprendem a acertar o relógio do vídeo, o importante e relevante é aprenderem a fazer uma coisa qualquer no iPad.

 

Mas a mensagem essencial que me parece ser necessário passar (e que se vislumbra no texto) é que os adultos – pais, encarregados de educação, irmãos mais velhos, tios, avós, professores e educadores – possuem competências (digitais ou não digitais, não me parece relevante) que as crianças e os jovens ou não possuem ou não têm tão desenvolvidas. Nesse sentido, o seu apoio é essencial para que as crianças e os jovens possam adquirir e desenvolver as suas competências digitais. E o inverso também é verdade. Assim, a dica que deixo é: Usem os computadores e a Internet com as vossas crianças e jovens: ambos têm coisas para ensinar e a aprender.

 

Veja a análise dos restantes mitos, seguindo as ligações abaixo:

  1. Os nativos digitais sabem tudo
  2. Agora todos estão a criar o seu próprio conteúdo
  3. Os menores de 13 anos não podem usar redes sociais, logo não nos preocupemos
  4. Toda a gente está a ver pornografia online
  5. Os bullies são vilões
  6. As pessoas que conhecemos na Internet são estranhos
  7. Riscos offline migram para o online
  8. Colocar o PC na sala de estar ajudará
  9. Ensinar competências digitais reduzirá o risco
  10. As crianças conseguem contornar o software de segurança
Os comentários são bem vindos.

Os 10 Maiores Mitos Sobre Riscos Online Para Crianças?

Tito de Morais, 26.09.11
Capa do relatório

No seu relatório publicado no passado dia 22 de Setembro, o projecto EuKidsOnline inclui uma lista sobre o que considera ser os 10 maiores mitos sobre riscos online para crianças. No texto afirma-se:

 

Os mitos sobre a segurança na Internet tendem a exagerar ou a simplificar em demasia, e muitas vezes estão desactualizados.

 

Tenho que os dados resultantes de uma investigação conduzida cientificamente, geralmente não são incontestáveis, nem infalíveis. Sobretudo as ilações que se retiram dos resultados. Todavia, fornecem-nos sempre informação para suscitar o debate, a reflexão e a acção. A principal crítica que esta lista me oferece é que não se me apresenta como uma abordagem pela positiva, isto é, não sublinha dicas e conselhos sobre o que podemos ou devemos fazer para minimizar os riscos a que crianças e jovens podem estar expostos online. E isso é o que pais, encarregados de educação, professores e educadores precisam.

 

Daí ter decidido comentá-los, um por um, nas próximas publicações, dando assim  meu contributo para  debate. No caso concreto, note-se que se tratam de uma investigação pan-europeia envolvendo diversos países, incluindo Portugal e que naturalmente os dados variam de país para país. Neste caso, será interessante saber até que ponto os dados da investigação nacional permitem chegar-se aos mesmos mitos. Noto ainda que faço parte do Conselho Consultivo da equipa portuguesa do Projecto EuKidsOnline e irei convidar os membros da equipa nacional a participarem aqui no eventual debate que por aqui se suscitar.

 

Aqui fica, então, a listagem dos mitos, segundo o projecto EuKidsOnline:

  1. Os nativos digitais sabem tudo
  2. Agora todos estão a criar o seu próprio conteúdo
  3. Os menores de 13 anos não podem usar redes sociais, logo não nos preocupemos
  4. Toda a gente está a ver pornografia online
  5. Os bullies são vilões
  6. As pessoas que conhecemos na Internet são estranhos
  7. Riscos offline migram para o online
  8. Colocar o PC na sala de estar ajudará
  9. Ensinar competências digitais reduzirá o risco
  10. As crianças conseguem contornar o software de segurança
Os comentários são bem vindos.

12 Motores de Busca de Imagens

Tito de Morais, 10.01.11

 

Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Control_copyright_icon.svg

A generalidade dos utilizadores da Internet em geral, os professores e os estudantes em particular, quando precisam de uma imagem para um trabalho, pesquisam no Google Images. No entanto, tal pode implicar alguns problemas. Os resultados são por vezes inesperados - exemplo clássico, ao procurar por "gatinhas", provavelmente aparecem-lhe "gatonas" e algumas em poses que podem ser embaraçosas para uma sala de aula - algumas imagens podem não ter a qualidade desejada e, por outro lado, a sua utilização pode estar condicionada por restrições relacionadas com o direito de autor. Importa então conhecer alternativas e formas de minimizar este tipo de situações. Sublinho, minimizar, porque realisticamente, dificilmente se consegue eliminar a sua ocorrência. A este propósito, no dia 2 de Janeiro, através da Prof. Teresa Pombo, que acompanho no Twitter e no Facebook, descobri um artigo excelente: "12 Useful Image Search Tools". Neste artigo são referidas 12 ferramentas de pesquisa de imagens e são dadas instruções relativamente à sua utilização na pesquisa de imagens que possam ser utilizadas sem que tal implique a violação dos direitos dos seus autores. No entanto, convém nunca esquecer a citação da fonte original da imagem, condição geralmente aceite para a sua utilização. Dito isto, boas pesquisas!

 

Música Livre

Tito de Morais, 05.01.10
Na sequência da pergunta que me foi feita em http://www.formspring.me/TMorais/q/19358521, da minha resposta e de alguns comentários que se lhe seguiram pareceu-me de toda a pertinência publicar aqui aulguns recursos adicionais sobre o tema Música Livre:

Com isto, acho que ficamos todos a perceber um pouco mais sobre o tema "Música Livre" e, sobretudo, como uma forma de evitar os riscos associados aos chamados downloads ilegais.

 

MythBusters: Caçadores de Mitos

Tito de Morais, 31.08.08

Imagem da ida do Homem à LuaMythBusters, ou Caçadores de Mitos em português, é o nome de um programa exibido no Discovery Channel que se dedica à analise da lendas e mitos urbanos. A Internet é prolífica, no que toca à prolíferação e disseminação deste tipo de histórias. Assim, este programa é interessante para nos ajudar a perceber que nem tudo o que lêmos, vêmos ou ouvimos é verdade. Não só nos jornais, revistas, na rádio e televisão, mas também na Internet. Seja em páginas web, mensagens de email, vídeos, etc.

 

O episódio 104 da 7ª série dos MythBusters foi subordinado ao título "Nasa Moon Landing", dedicando-se a desmontar algumas teorias relacionadas com a exploração espacial e segundos as quais a ida do Homem à Lua foi a maior fraude do século, como defendem inúmeros sites na Internet. São tantos os sites que até a NASA já tratou o tema.

 

Infelizmente, a gravação do programa não está disponível a utilizadores a partir de Portugal e o site da TV Cabo também pouco ou nada adianta relativamente à "season" e ao número dos episódios actualmente em transmissão em Portugal. No entanto, visitando os links anteriores poderão obter alguma informação adicional sobre o assunto e brevemente poderão consultar mais informação a partir desta página.

 

Entretanto, enquanto não consegue ver o referido programa e se o tema dos conteúdos falsos ou enganosos na Internet o interessa, deixo-lhe aqui alguns dos artigos que escrevi sobre o assunto, incluindo sobre esta questão da ida do Homem à Lua:

A terminar, habitualmente falo dos conteúdos falsos ou enganosos como uma risco ou uma ameaça online para crianças e jovens. No entanto, quando devidamente enquadrados, este tipo de conteúdos apresentam-se como uma excelente oportunidade para pais, professores e educadores ajudarem os seus filhos, alunos e educandos a exercitar e desenvolver o pensamento crítico.

 

Pedofilia no Orkut

Tito de Morais, 16.08.07

Crimes na internet? Denuncie Segundo noticiou a ID Now!, o volume de novas páginas de pedofilia no Orkut mais do que duplicou no 2º trimestre, em relação a 2006. "Nunca foram criadas tantas páginas sobre pornografia infantil como no primeiro semestre deste ano", alerta oadvogado Thiago Tavares, presidente da Safernet, organização que no Brasil realiza a medição desde o final de 2005.

 

De Janeiro de 2006 a Junho de 2007, o Projeto Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos, conduzido por esta organização não-governamental, em parceria com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal do Brasil, identificou quase 45.941 perfis e comunidades únicos relacionados a crimes contra os direitos humanos na internet, sendo 93,7% ligados ao Orkut. Comunidades e perfis ligados à pedofilia representam 39,8% das denúncias filtradas, de um total total de 636.350 denúncias recebidas no período acima referido no site da Safernet. Em segundo lugar estão comunidades de apologia a crimes contra a vida (28,1%) e, em terceiro comunidades de apologia ao neonazismo (8,03%). No período de Abril a Junho de 2007, a Safernet registrou mais de 6.500 novas páginas e perfis criados no Orkut relativos à pornografia infantil (mais de 2 mil em Abril, mais de 2.500 em Maio e mais de 2 mil em Junho). No mesmo período do ano passado, a média de novas páginas e perfis criados foi de 2.700 (1.200 em Abril, 700 em Maio e 800 em Junho). A média de permanência das comunidades criminosas no ar é de 8,3 dias. "Ultimamente o Google tem agido rapidamente, mas para uma página com esse conteúdo no ar é uma eternidade", afirma Tavares.

 

Em resposta a esta realidade, o Instituto WCF (World Childhood Foundation) Brasil, organização dedicada à proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes, lançou a cartilha educativa "Navegar com Segurança" para orientar pais e educadores sobre a ameaça da pedofilia e da pornografia infantil na internet. O documento, com 48 páginas, elaborado com o apoio de educadores e sociólogos, pode ser obtida a partir do site do Instituto WCF (PDF - 1MB). Segundo declarações de Ana Maria Drummond, diretora executiva da WCF-Brasil, à IDG Now!, "nós sentimos necessidade de consolidar informações sobre pedofilia e pornografia infantil na internet, mas sobretudo de uma forma que ajudasse a educar os pais". Segundo esta responsável, a ideia é auxiliar os pais a conversarem com os filhos sobre os riscos da pedofilia na internet e diminuir a distância cultural com a nova geração, que já nasce ligada. "A internet não é o vilão da história (...). A questão é navegar com segurança", acrescentou.

Violência Extrema

Tito de Morais, 15.08.07

Imagem do vídeo referido na notíciaHá tempos atrás, pouco tempo depois de ter começado a trabalhar para uma empresa, um colega que ainda me conhecia mal, enviou-me um vídeo. Curioso, abri o ficheiro e vi o início de um vídeo que será por ventura dos mais chocantes com que já me confrontei, tendo de imediato fechado o programa onde o estava a visionar. Percebi então que ainda conhecia mal esse colega. O vídeo era a execução bárbara (como todas são!) de um refém ocidental no Iraque. Nesse vídeo o refém era degolado como se de um animal se tratasse. Se um vídeo destes já é chocante quando de um animal se trata, quando se trata de seres humanos a violência, o horror, a barbaridade e a degradação do acto tornam-no ainda mais chocante. Vem isto a propósito de uma notícia ontem vinculada pela Agência Lusa, sob o título "Racismo: Vídeo na net com alegado assassínio ao vivo de duas pessoas". Perante isto recomendo a leitura do artigo que escrevi esta semana sob o título "Onde Denunciar Conteúdos Ilegais na Internet". No entanto, não posso também de deixar de me recordar de um outro episódio relacionado com este. No dia do lançamento da hotline portuguesa onde os utilizadores de Internet em Portugal podem denunciar este tipo de conteúdos, num pequeno grupo de pessoas discutia-se a dificuldade dos operadores de serviços Internet lidarem com este tipo de denúncias. A título de ilustração, relatei este episódio como um tipo de conteúdos que podem e devem ser denunciados, ao que um representante de um operador retorquiu: "esse caso é muito interessante porque coloca a questão do que pode ser considerado violência extrema". Às vezes acho que as pessoas "ligam o complicador" e quando é assim, as empresas correm o risco de deixarem de ser geridas por pessoas e por valores, passando a serem-no por "autómatos" sem valores.

Vídeos, Anorexia e Internet

Tito de Morais, 14.08.07

Imagem representativa da anorexiaApanhei a notícia através do Portugal Diário que lhe deu destaque sob o título "Vídeos na net promovem anorexia". Organizações não governamentais do Reino Unido no domínio dos distúrbios alimentares apelaram a implementação de controlos mais rígidos depois de detectarem que sites populares de redes sociais tais como o MySpace, YouTube e Facebook estavam a ser usados para promover a anorexia. Ora a notícia do Portugal Diário foca-se quase exclusivamente na questão dos vídeos do YouTube, o que poderá justificar (?) as declarações - no meu ponto de vista algo ligeiras - da responsável da Associação Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bolímicos (AFAAB). Por esta razão parece-me relevante aprofundar a notícia seguindo as fontes originais.

 

Segundo a notícia "Social websites like MySpace encourage anorexia, warn charities" do Daily Mail, estes sites estão a ser usados por raparigas anoréticas para se encorajarem mutuamente e promoverem uma "moda" bizarra que se refere a um papel modelo usado por pessoas (geralmente com distúrbios alimentares) para se inspirarem a perder peso, e que é mais comum na comunidade pró-anorexia. Em resultado disso, centenas de milhar de vídeos chocantes exibindo imagens de mulheres extremamente magras têm sido colocadas e vistos por adolescentes YouTube, um site de partilha de vídeos muito popular.

 

Segundo estas organizações não governamentais, os jovens estão também a tirar partido da popularidade das redes sociais como o Facebook para encorajarem outros jovens a não se alimentarem e para trocarem dicas sobre pílulas de emagrecimento. Alguns destes grupos no Facebook e no MySpace tem já um milhar de membros e usam como slogan frases como "Não se destina a pessoas que tentam recuperar. Isso estraga a nossa motivação".

 

As organizações referidas no início da notícia apelaram a este tipo para que monitorizem mais de perto e a controlarem este tipo de conteúdos, alegando que este tipo de vídeos e de informação não ajudam a promover a saúde e não ajudam as pessoas que procuram recuperar de distúrbios alimentares.

 

Segundo Susan Ringwood, uma da maior organização do Reino Unido neste domínio, "os distúrbios alimentares são uma doença mental séria, não uma moda, uma fase ou um acessório de moda. Também não são um estilo de vida e tudo o que possa enganar ou tentar persuadir um jovem vulnerável sobre isto, é potencialmente muito danoso". Esta responsável acrescentou ainda que "quanto mais cedo alguém obtiver a ajuda de que necessita, maior a probabilidade de se recuperarem totalmente". No entanto, alguns movimentos pro-anorexia procuram deliberadamente encorajar as pessoas a evitar o tratamento". Segundo esta reponsável, a sua organização procura "mudar a forma segundo a qual pensamos e falamos sobre os distúrbio alimentares e isso significa mostrar que podemos fornecer a aceitação e a compreensão, para que os grupos pro-anorexia não se tornem no único refúgio existente".

 

Na sua notícia "Social network sites are urged to ban ‘hardcore’ anorexia videos", o Times Online, fonte da notícia do Portugal Diário, inclui ainda dois depoimentos interessantes para percebermos este fenómeno: Um, de uma rapariga de 16 anos, que refere ter começado a ver regularmente este tipo de vídeos há cerca de uma ano; o outro, de uma jovem de 22 anos, que produz este tipo de vídeos.

 

Os sites pro-anorexia, onde adolescentes trocavam dicas e vêem vídeos como os referidos com imagens de raparigas extremamente magras, sempre existiram. No entanto, eram difíceis de encontrar e as pessoas que os frequentavam permaneciam anónimas. A preocupação desta tendência, e que me pareceu escapar à responsável da AFAAB, é que começam a surgir em sites populares alcançando uma audiência de dezenas de milhar de pessoas. A solução também não me parece que seja o banir este tipo de conteúdos como alegadamente pretendem os grupos anti-anorexia. A solução também não me parece que passe pela promoção de vídeos contrário a esta tendência começa a acontecer, até porque geralmente são produzidos por cidadãos que poderão não estar devidamente preparados para tratar estes assuntos. No meu ponto de vista, a solução poderá estar nas declarações de um porta-voz do MySpace: " Em vez de censurar estes grupos, estamos a trabalhar no sentido de criar parcerias com organizações que fornecem recursos e conselhos para pessoas que sofrem deste tipo de problemas e iremos visar estes grupos com mensagens de apoio". Mas conhecendo o ritmo de crescimentos das redes sociais, é bom que essas parcerias se façam depressa.

Exposição & Consequência

Tito de Morais, 07.08.07

Imagem ilustrativa de "celebrações" académicasJá alertei várias vezes para os riscos associados à exposição excessiva em sites de redes sociais. Uma das potenciais consequências dessa exposição excessiva relaciona-se também com a reputação dos jovens. Em meados de Julho, na sua notícia "Caught on camera – and found on Facebook", o Times Online refere que o Facebook está a ser usado por autoridades universitárias como uma ferramenta disciplinar. A título de exemplo, relata o caso da Universidade de Oxford, cujo pessoal está usar o Facebook para recolher fotografias e multar estudantes cujas fotos indiciam a violação das regras no âmbito de celebrações académicas. Para além de exemplos relacionados com este caso, o Times Online refere ainda outros casos em que a informação colocada em sites de redes sociais se pode virar contra os próprios utilizadores. Entre esses casos, contam-se:

  • Uma Miss que foi vítima de chantagem em resultado de uma foto colocada no seu perfil do Facebook
  • Uma responsável de uma empresa de relações públicas que reconheceu ter recusado uma candidatura depois de se ter apercebido que o candidato tinha usado o Facebook para criticar empregadores anteriores e discutir informação da empresa
  • Cinco estudantes canadianos impedidos de participar numa viagem de estudo em resultado da descoberta de comentários sobre professores no Facebook
  • Um consultor de carreiras norte-americano que afirma ter recusado emprego a um candidato em resultado de comentários deste no Facebook

  • Vários estudantes da universidade de DePauw, no Indiana, que foram alvo de medidas disciplinares por terem colocado informação no Facebook que permitiu associá-los a um acto de vandalismo

  • Uma estudante da Universidade da Pensilvânia que viu recusado o seu diploma de professora pelo facto da universidade considerar que ela promovia o consumo de bebidas alcoólicas por menores, em resultado de uma foto intitulada Pirata Bêbada que a estudante havia colocado no MySpace

Este último caso é desenvolvido em pormenor no site da MTV, sob o título "Woman Denied Degree Over 'Drunken Pirate' MySpace Photo Sues School".

 

Ainda segundo o Times Online, um estudo de 600 empresas britânicas revelou que uma em cada cinco empresas usa sites de redes sociais para recusar potenciais candidatos.

 

Independentemente de poderemos considerar estes exemplo excessivos, brandos, correctos ou incorrectos, servem de exemplos que nos podem ajudar a fazer ver aos jovens as potenciais consequências resultantes da utilização irresponsável de sites de redes sociais. É que, contrariamente ao que poderão ser levados a pensar, os sites de redes sociais não são espaços fechados. Os comentários e as fotos que aí se colocam é como se fossem colocados num painel publicitário em plena baixa. Com assinatura e tudo! Em função disto, é bom que pensem bem no que colocam neste tipo de sites. Sobretudo antes de o fazerem. Antes de se entregarem a praxes académicas excessivas e antes de se candidatarem a um emprego.

Nova Tendência?

Tito de Morais, 06.08.07

Há dias, o semanário SOL noticiava "Alerta - Site pedófilo publicita eventos para crianças", relativo ao caso de um site holandês que está a ser investigado pela polícia de Montreal, no Canadá, por publicitar um festival dedicado a crianças que vai ter lugar naquela cidade, como um bom local para ver raparigas pequenas, acrescentando que ver raparigas pode ser "uma actividade enriquecedora". O SOL acrescenta que para além deste festival, o site "apresenta ainda uma lista com vários eventos que vão ser realizados na América do Norte, classificados com pequenos corações".

 

Consegui localizar a fonte original da notícia do SOL e daí o site referido pela notícia. Este define-se como "um local para pedófilos, especialmente apreciadores de raparigas, se maravilharem com o charme e a beleza extrema de pequenas raparigas para afirmar o ideal de relações românticas consensuais entre adultos e raparigas amorosas". Mas acrescenta ainda, "pretende também demonstrar aqueles que não partilham a nossa atracção que um verdadeiro pedófilo não é um molestador de crianças", para concluir a apresentação afirmando "aqui pode-se encontrar uma variedade de recursos sobre o tópico da pedofilia, incluindo imagens, poesia, ensaios, análises e um extenso catálogo de hiperligações". A título de curiosidade refira-se que dispõe versões em inglês, alemão, espanhol, checo, polaco, francês e italiano.

 

Coincidentemente, conforme uma amiga me chamou à atenção, os Estados Unidos confrontam-se com um problema semelhante desde, pelo menos, Março passado.

 

Logotipo da FOX NewsDe facto em finais de Março, sob o título "Seattle-Area Pedophile Has 'How-to' Web Site for Men Seeking Little Girl Activities", a Fox News noticiava o o caso de um website criado por um pedófilo assumido - mas que nunca foi condenado por qualquer crime sexual - e que constitui um verdadeiro manual virtual sobre "como fazer" (how-to), completo com os melhores locais da zona oeste do Estado de Washington para ver raparigas e dicas sobre como evitar ser apanhado pela polícia. A polícia estava a par do site e acrescentava que, "por muito perturbador e ofensivo que possamos considerar, não há indícios de crime ou sequer a suspeita de actividade ilegal". Segundo o pedófilo assumido, o site pretende promover a associação, amizade e os abraços e carinhos legais entre homens e raparigas pré-adolescentes, admitindo à FOX News sentir-se atraido por raparigas com idades entre os 3 e os 11 anos de idade. Segundo afirmou, pretende fazer os pedófilos "sairem do armário" e dar-lhes um meio de escape, incentivando-os a sairem e estarem ao pé de raparigas, enumerando para um efeito uma série de locais. Na sequência de contactos da FOX com a empresa que procedia ao alojamento do site, esta bloqueou o acesso ao site e afirmou estar a proceder a investigações no sentido de averiguar se neste haveria algum conteúdo ilegal. Pelo menos uma escola da região escreveu uma carta ao proprietário do site alertando-o que se este entrasse nas suas instalações tal seria considerado invasão de propriedade privada e solicitaria a sua detenção. Ainda segundo a Fox News, a polícia e procuradores do Estado estavam a acompanhar o caso com atenção e um grupo de legisladores estava a considerar uma nova lei para lidar com este tipo de websites. Entretanto, o seu proprietário é livre de continuar a promover e incentivar a pedofilia.

 

Logotipo do The New York TimesJá em finais de Julho, sob o título "Parents’ Ire Grows at Pedophile’s Unabashed Blog" o New York Times noticiava que o mesmo pedófilo referido na notícia da Fox News prosseguia agora as suas actividades em Los Angeles, o que havia suscitado a ira de alguns grupos de pais e mães. Segundo afirma o correspondente do NY Times em Los Angeles, a polícia local afirma ter a pessoa em questão sob vigilância, mas afirma também não dispor de mecanismos legais que permitam a sua detenção. Segundo o NY Times, os grupos que se insurgem contra a actuação deste pedófilo assumido enfrentam uma estrada difícil. É que, segundo especialistas no domínio da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que trata da Liberade de Expressão, enquanto a publicação de imagens de crianças em poses sexuais é crime, a publicação de imagens de crianças vestidas em poses do quotidiano não é ilegal. No entanto, um dos especialistas citado na notícia do NY Times refere um estatuto federal que proibe a publicação de informação na Internet sobre como fazer bombas, sugerindo que um estatuto similar poderia ser usado para banir a informação que ajude pessoas a encontrar crianças com o objectivo de as molestar.

 

Logtipo da ABC NewsSob o título, "Mothers Fight Back Against Pedophile's Web Site", a ABC News também noticiou o caso acima referido, sublinhando o facto das forças policiais pouco poderem fazer para lhe por cobro dado a lei não estar a ser violada. No entanto, no site da ABC News, um outro caso chamou-me à atenção. Sob o título "Sugar and Spice ... but Not So Nice?", esta estação televisiva norte-americana noticia o caso de um outro auto-proclamado pedófilo que recorre a uma estratégia diferente, operando abertamente um site a partir dos Países Baixos especificamente concebido para parecer um site para crianças. Segundo declarações prestadas por telefone à CBS News, o site visa atrair e "ensinar jovens raparigas sobre relacionamentos românticos com adultos". Tal como o caso anterior, também este pedófilo afirma nunca ter tido relações físicas com crianças. Segundo especialistas consultados pela CBS News, este tipo de sites operam numa zona cinzenta da lei, mas poderão estar a violar o Child Online Privacy Protection Act, uma lei que nos Estados Unidos impede a solicitação de dados pessoais a menores de 13 anos sem o consentimento parental prévio. A título de curiosidade, refira-se que o site referido neste parágrafo é operado pela mesma pessoa que gere o que está a causar polémica no Canadá e que referi no início deste artigo.

 

Capa da NewsweekSob o título "A Law-Abiding Pedophile?", a Newsweek também dá relevo ao caso do pedófilo de Los Angeles, incluindo uma interessante entrevista sobre o caso com Ernie Allen, Presidente e CEO do International Centre for Missing & Exploited Children.

 

No entanto, as desventuras do pedófilo de Los Angeles parecem ter tido mais um revés. Segundo um dos sites criados para se opor às actividades deste pedófilo, um juíz californiano determinou o impedimento deste colocar online imagens de pequenas raparigas, impedindo-o também de ter qualquer contacto com crianças em todo o estado da Califórnia. A decisão obriga o pedófilo a manter uma distância mánima de 10 jardas de qualquer menor e impede-o de ter qualquer contacto com crianças por telefone, correio ou email. No meu ponto de vista, dadas as explorações das zonas cinzentas da lei que estes casos insinuam, poderá aqui estar mais uma lacuna. Ao ser específico, o juíz poderá ter ignorado meios de contacto como as mensagens instantâneas, a voz sobre IP, etc.